Cinco Tecnologias Criadas Pela NASA Para Chegar à Lua Que Mudaram a Vida na Terra

Cinco Tecnologias Criadas Pela NASA Para Chegar à Lua Que Mudaram a Vida na Terra

No dia 20 de Julho serão 52 anos de uma data que mudaria o rumo da humanidade. A chegada do homem à lua através da missão Apollo 11. Ao dizer que esse evento foi um grande passo para a humanidade, talvez nem mesmo Neil Armstrong tivesse do significado daquelas palavras.

A própria NASA publicou uma lista com cinco exemplos de inovações tecnológicas desenvolvidas para o Programa Apollo que beneficiaram o mundo inteiro. Acompanhe!

1. Normas de Segurança Alimentar

Com a viagem ao espaço, seria necessário garantir que os alimentos ingeridos na fossem seguro e não causassem indisposição ou doenças à tripulação. Os testes foram encomendados à companhia americana Pillsbury juntamente com as Forças Armadas Americanas. Os testes extensivos aplicados destruíram a amostra e não havia muito tempo.

Então, a Pillsbury renovou todo o seu processo de segurança alimentar, criando o que se tornou o sistema “Hazard Analysis and Critical Control Point” (HACCP), ou Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle. É uma técnica que permitia avaliar detalhadamente cada etapa da fabricação dos alimentos e identificar o que poderia dar errado. Depois, esses pontos identificados teriam que ser controlados preventivamente. Além de manter os alimentos dos astronautas em segurança, o HACCP acabou sendo adotado em todo o mundo — inclusive no Brasil, a partir da década de 1990.

Şeftalİ | TradeValley
Segurança Alimentar

2. Controles Digitais para Naves e Aviões

As naves do programa Apollo foram os primeiros veículos a serem controlados digitalmente por um computador. O Sistema Digital de Controle é mais simples que o analógico, além de ser fisicamente mais leve e permite armazenar grandes quantidades de dados e manobras programadas através de um software bastante robusto — para a época.

Antes da missão Apollo, não havia computadores digitais para controlar aviões. Trabalhando em conjunto com a Marinha e o Laboratório Draper, a NASA adaptou o computador de voo digital do programa Apollo para trabalhar nesse tipo de veículo. Hoje, todas as companhias aéreas utilizam esse sistema, com base na tecnologia desenvolvida para levar o Homem à Lua.

O padrão tecnológico das cabines de aviões mudou pouco nas primeiras décadas de existência do transporte aéreo. Até os anos 1960, ocupavam os cockpits tripulações técnicas mais numerosas do que as atuais, compostas por comandante, copiloto, navegador e engenheiro de voo. Os avanços obtidos no campo da computação, especialmente após o programa Apollo, estabeleceram novas perspectivas à indústria aeronáutica. No começo da década de 1970, os aviões já contavam com automação no gerenciamento de sistemas, o navegador havia sido substituído por sistemas inerciais e o engenheiro de voo começava a ver sua carreira ameaçada pela eletrônica. Na esfera militar, os aviões ganhavam telas que exibiam parâmetros tanto dos sistemas como de voo. O mesmo ocorreu na aviação regular, com a chegada dos chamados “glass cockpit”.

Os projetos desenvolvidos no final da década de 1970 já se beneficiavam de alguns novos conceitos, como o AHRS (Attitude and Heading Reference Systems) e o ADC (Air Data Computer), assim como os tradicionais mostradores analógicos davam lugar a telas CRT (Cathode Ray Tube). Inicialmente, essa tecnologia permitiu simplificar processos operacionais, uma vez que parte do serviço passou a ser realizado por computadores, além de aumentar significativamente a consciência situacional ao exibir dados de forma clara, em especial os de navegação.

Na segunda metade da década de 1990, surgia uma nova e poderosa indústria, a de eletrônica, que passaria a ditar boa parte das inovações. A aviação comercial buscava se tornar mais eficiente, reduzindo drasticamente os custos, enquanto projetos militares passavam a sofrer com cortes no orçamento, em função do fim da Guerra Fria. Se antes as inovações eram oriundas especialmente de programas militares e espaciais, a partir de então, os fabricantes privados de processadores, televisores, telefonia e softwares se tornavam o berçário de novidades cada vez mais poderosas.

Não demorou muito para que projetos comerciais se tornassem mais modernos do que programas militares complexos. Os computadores pessoais passaram a ter mais poder de processamento do que sistemas militares inteiros. Isso levou a indústria aeronáutica a um novo cenário, a integração de sistemas. As mudanças permitiriam não apenas reduzir os custos, como também aumentar a segurança ao tornar as cabines mais simples. Paralelamente, a aviação geral assistia ao surgimento de novos fabricantes, que nasciam dentro dessa nova filosofia. A indústria tradicional ainda relutava em aceitar algumas tecnologias enquanto os novatos apostavam na inovação como diferencial. Entre 2000 e 2010, as cabines de aeronaves executivas deixaram de contar com pequenos mostradores digitais para serem completamente integradas em complexas suítes de aviônica. Na aviação comercial, projetos como Airbus A380, A350 XWB e Boeing 787 Dreamliner se tornaram divisores de águas, com suítes inovadoras e intricados sistemas eletrônicos.

Evolução dos Painéis
A Evolução dos Painéis Navegadores

Essa jornada também abriu caminho para outros sistemas digitais como os de fábricas, que controlam centros fabris enormes através de mesas de comando.

3. Amortecedores Para Terremotos

Os amortecedores e computadores das Apollo deram origem a verdadeiros salva-vidas capazes de estabilizar edifícios durante terremotos. Os foguetes Saturn V, que levaram as missões Apollo para fora da atmosfera, tiveram que permanecer conectados aos tubos de combustível na base de lançamento até o último segundo. O desafio aqui era tirar esses tubos do caminho com segurança no momento da decolagem. Considerando a velocidade com que eles se moviam, o risco de colisão com o veículo era alto.

A NASA contratou a Taylor Devices Inc. para desenvolver equipamentos para amortecer o choque. Pouco tempo depois, a agência espacial voltou à empresa para obter um computador de alta velocidade com base em hidráulica. Para esse desafio, a empresa criou amortecedores cheios de fluido compressível, que funcionavam ainda melhor que os anteriores. Mais tarde, a NASA usou essa mesma tecnologia para os lançamentos de seus ônibus espaciais.

Amortecedor para Terremotos

Desde então, a empresa adaptou esses amortecedores com fluidos compressíveis em edifícios e pontes para ajudá-los a resistir a terremotos. Hoje, essas estruturas estão protegidas com sucesso em algumas das áreas mais propensas a terremotos do mundo, como Tóquio, São Francisco e Taiwan. 

4. Isolamento Térmico

Após uma maratona, corredores são envoltos em mantas térmicas prateadas para evitar que o corpo mude de temperatura bruscamente. Esse material, chamado barreira radiante de isolamento, foi criado para a missão espacial. A temperatura fora da atmosfera pode variar bastante, de centenas de graus abaixo de zero a centenas acima. Os astronautas precisariam,  durante o programa Apollo de uma proteção térmica e a NASA criou um tipo de isolamento leve e eficaz.

Hoje, o material ainda é usado para proteger astronautas e eletrônicos sensíveis em quase todas as missões espaciais, mas também passou a ser utilizado em muitos lugares, aqui na Terra — desde as mantas para atletas até isolamento em edifícios para economia de energia. Também protege os componentes das máquinas de ressonância magnética usadas na medicina, e muito mais.

5. Monitores de Saúde

Pacientes em hospitais estão conectados a sensores que enviam dados importantes de saúde aos médicos e enfermeiros de plantão. Assim, quando um alarme dispara, alguém aparecerá para ajudar. Essa tecnologia salva vidas todos os dias, mas ela, na verdade, foi criada para enviar dados de saúde do espaço à Terra.

Quando os astronautas da Apollo seguiram rumo em direção à Lua, eles permaneceram conectados a um sistema de sensores que enviavam informações em tempo real sobre pressão sanguínea, temperatura corporal, frequência cardíaca e muito mais, a uma equipe na Terra. O sistema foi desenvolvido para a NASA pela Spacelabs Healthcare, que rapidamente o adaptou para o monitoramento hospitalar, o que acabou sendo adotado em quase todos os hospitais do mundo, e continua se expandindo para que médicos possam acompanhar a saúde de seus pacientes mesmo fora do hospital.

Monitor Multiparâmetros Uso Hospitalar - Health Engenharia Clínica Aparelho  de Fisioterapia
Monitor Hospitalar

Se o programa Apollo trouxe avanços para todo o mundo, e é bem provável que o programa Artemis, que levará novamente astronautas à lua em 2024 também dê a sua contribuição. Mas estamos vivenciando uma grande movimentação de avanços com empresas de todos os portes sendo protagonistas. A globalização democraticou a tecnologia. Como você viu nesse artigo, diante de uma necessidade e a busca de soluções, pode-se ter uma grande descoberta. Pense nisso e inove.

REFERÊNCIAS: 

https://aeromagazine.uol.com.br/artigo/revolucao-digital-no-cockpit_1597.html

NASA

 Crédito das fotos:

FoodSafety:  http://www.karaali.com.tr/tr/images/gidaguvenligi.jpg

A Evolução dos Painéis Navegadores: https://aeromagazine.uol.com.br/media/uploads/aero_241/evolucao_cockpit_big.jpg

Amortecedor de Terremoto: https://media.gazetadopovo.com.br/haus/2018/08/amortecedor-massa-sintonizada-taipei-101-01-f1313500.jpg

Monitor Hospitalar:  https://centermedical.vteximg.com.br/

Deixe uma resposta